E lá vamos nós, entre um blog e uma página pessoal, surge algum novo mecanismo de comunidade virtual. Mas, afinal, para que servem essas comunidades? O que essas pessoas reunidas, virtualmente, em torno de alguns bits e bytes transmutados em gráficos esperam desse espaço? Na verdade, que disponibiliza esse ambiente espera o que? A febre se iniciou com o Orkut, que aliado ao Google, ainda não disse ao que veio. Depois, o Estadão, em cima da reformulação gráfica do jornal, lançou um caderno novo de informática, o Link, que conseguiu piorar o que era ruim, e trazia a proposta da criação de um ambiente para comunidades. A Microsoft, preocupada com seu espaço, está ensaiando o MSN Spaces, em fase experimental. Seguiram-se algumas outras iniciativas, nacionais e internacionais, mas sem o mesmo impacto dessas citadas. Agora, temos o Gazzag, criado a partir de uma experiência de sucesso na Internet e em cima da idéia de um tipo de comunidades, realmente, ativa e eficiente: as comunidades de encontros (inicialmente) virtuais, mas que tem um senso prático evidente, que penetra a realidade. O fato é que as comunidades virtuais podem, de fato, aproximar interesses, estreitar relacionamentos, comerciais e passionais. O conceito por trás das comunidades não é original. A idéia de criar um espaço onde as pessoas possam se encontrar, expor e trocar idéias, está na origem da nossa própria essência. Somos animais sociais, com uma ou outra exceção, que todos certamente conhecemos em nossos respectivos grupos. A Internet e a evolução da grande rede, simplesmente, criou um ambiente muito mais favorável a esses encontros. Muito mais rápido e eficaz, mais seguro e, paradoxalmente, muito mais libertário e livre. Afinal, se como diz meu pai, “papel aceita tudo”, a web tem a capacidade de transformar impressão em fato e sinistramente, transformar mentiras mal contadas em verdades. Por isso mesmo, apesar de toda facilidade de acesso, informação abundante, mais do que nunca é preciso atenção e zelo redobrado para caminhar pelo mar da virtualidade. Não é a toa que as nóias imperialistas, spywares e malwares, versões modernas do Big Brother (o personagem de George Orwell, na ficção 1984, e não o zoológico bizarro exposto nos tais reality shows da tevê), resistentes incautos que apostam no Lixus como resistência ao império do mal de Darth Gates, entre outras manifestações, invadem o ciberespaço e se juntam em guetos de resistência e pureza. Entre a tentação de se aliar a alguma comunidade, ampliar horizontes, ou ficar circunscrito aos guetos de sempre, vão surgindo serviços e mais serviços, proliferam as comunidades e a pergunta permanece: para que vieram essas comunidades? Não se arrisque em respostas rápidas e simples. Aqui, mais do que em qualquer outro meio, nada é o que parece! E se parece é porque não é!
25
Fev
05
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